

Acima das Estrelas
Por Hugo Sentinelli

Logline
Uma mãe transcende o tempo e o espaço para reescrever o dia em que sua filha foi sequestrada e perdida para sempre, embarcando em uma jornada cósmica em seu carro, onde o amor e o sacrifício desafiam a realidade. Até que uma verdade inesperada muda tudo.

Sinopse
Após perder sua filha Nina em um sequestro dentro de seu próprio carro, Angela viveu o resto de sua vida em luto e culpa até o dia em que também morreu, transcendendo para uma dimensão além do tempo e do espaço. Lá, ela propôs que crianças inocentes não sofressem antes de morrer, como sua filha sofreu.
Em nossa história, testemunhamos Angela viajando de volta no tempo até o dia do sequestro de Nina, assumindo o controle do carro momentos antes de sua filha acordar na presença de seu sequestrador. Assim, em uma jornada surreal, o veículo desafia a gravidade, elevando-se acima da Terra e rumo aos confins do universo.
Um desfecho surpreendente se desenrola à medida que Nina envelhece em segundos, devido à velocidade da luz. E já adulta, ela começa a questionar as decisões de sua mãe, preparando o cenário para uma exploração instigante de livre arbítrio, escolhas e consequências.

Personagens

Angela
Uma mulher resiliente e determinada, movida por um amor inabalável pela filha. Apesar de carregar uma profunda tristeza, ela mantém um forte senso de propósito e uma
força interior que a impulsiona a desafiar qualquer limite. Prática e ferozmente protetora, Angela toma decisões com convicção, mas também luta contra o peso emocional de suas escolhas.

Nina
Uma menina curiosa e imaginativa, com um espírito vibrante e um aguçado senso de consciência. Mesmo em tenra idade, ela é
perceptiva e atenciosa. Frequentemente percebendo mais do que os adultos ao seu redor. À medida que amadurece, sua natureza inquisitiva se fortalece, levando-a a desafiar o que lhe é imposto e a buscar uma compreensão mais profunda das escolhas feitas por aqueles que a amam.

Referências de Tom


Declaração do Autor
Hugo Sentinelli
Conto histórias que exploram a fragilidade e a finitude da vida com esperança e sensibilidade, enfatizando a importância essencial dos relacionamentos.
Desde cedo, desenvolvi uma propensão ao pensamento transcendente e uma paixão pela ciência, especialmente por histórias sobre o universo. Isso me levou a contemplar a ideia de que, se residimos na trama do espaço-tempo aqui, talvez "lá fora" seja atemporal, onde o passado e o futuro coexistem simultaneamente.
Esta narrativa serve como um exercício criativo para ilustrar como até mesmo a dor mais profunda pode ser curada — uma exploração baseada na crença de que, se existe algo além da vida, deveria, no mínimo, ser melhor.

Prova de Conceito


Referências de filmes


Roteiro


Uma nota do escritor
Hugo Sentinelli
Você já se perguntou por que geralmente não nos lembramos do dia do nosso nascimento? Uma ideia interessante é que pode ter sido uma experiência tão intensa e até traumática que um recém-nascido mal conseguiria processar. É fascinante observar como a experiência pode ser extremamente diferente entre dois indivíduos tão próximos. Isso porque o que pode ter sido o momento mais feliz para nossos pais também pode ter sido bastante assustador para um feto: deixar o ambiente seguro e aconchegante do útero de nossa mãe para o mundo exterior – frio, barulhento e hostil.
É por isso que frequentemente encontramos conforto em lugares aconchegantes com um zumbido constante, como uma casa aquecida enquanto chove lá fora, ou no assento de um avião com os motores ligados, ou mesmo durante uma viagem de carro fechado com o rugido abafado do motor. De alguma forma, nossos sentidos nos lembram da época em que éramos um feto no útero de nossa mãe.
Lembra-se da sensação de ser uma criança no banco de trás de um carro, dirigido por seus pais, tios ou avós? Alguém em quem você confia e ama te levando a um destino que você nem sempre se importa em conhecer. Você nem precisa olhar para frente pelo para-brisa; você simplesmente aproveita a viagem pela janela lateral. Não é incomum cair no sono. E talvez esta seja a essência da própria vida: estamos todos em uma jornada para um destino que não compreendemos completamente. E quem está dirigindo? É confiável? O acaso? Deus? Um poder superior, os caprichos do destino?
E assim como o dia do nascimento marcou nossa entrada neste mundo, o dia da nossa partida também pode estar envolto em dor ou trauma. À medida que transitamos para uma realidade desconhecida, uma realidade que ainda não conseguimos conceber completamente. E é disso que trata "Acima das Estrelas". Uma criança inocente, prestes a enfrentar a experiência mais angustiante de sua vida, é resgatada no tempo certo de estar presente naquele momento por um anjo em forma de mãe.
Um anjo que desafia a realidade erguendo seu carro acima da terra. Decolando da rodovia e planando sobre a cidade, como um voo surreal. Para além da estratosfera, ao espaço sideral e além, transformando o que teria sido uma passagem terrível para uma alma inocente em algo mágico e belo.

Pesquisa
Na busca por desenvolver diálogos autênticos e empáticos, conduzi uma discussão instigante com mães de filhas pequenas, apresentando-lhes um conjunto de perguntas únicas e profundas. Abaixo, apresentamos algumas das respostas que coletamos:
1. Imagine que você pudesse viajar para o futuro e passar um dia com sua filha adulta. Em um instante, você já sabe tudo o que aconteceu: em que curso ela se formou, com quem se casou, etc. Tudo é lindo e abençoado. Como você acha que seria esse encontro? O que você acha que diria a ela, e ela a você?
RESPOSTA: Certamente, primeiro, eu provavelmente ficaria com os olhos marejados de emoção e orgulho, simplesmente falando sobre como ela está linda, como ela cresceu tão lindamente, que mulher incrível ela se tornou. Eu ficaria pensando em todas as coisas legais que ela conquistou. E então, acho que eu gostaria de ter uma conversa, sabe, para saber mais sobre como ela chegou a esse ponto, como a vida tem sido com ela, se ela já passou por momentos difíceis e se eu fui um bom apoio quando ela precisou... Acho que é isso.
2. Imagine que em um único dia você pudesse ver todo o crescimento da sua filha: diante dos seus olhos, ela aprende a andar, a falar, desenvolve o pensamento crítico, se torna uma mulher madura. O que você acha que diria a ela naquele dia, em cada etapa?
RESPOSTA: Acho que ficaria impressionada com a rápida passagem do tempo. Como mãe, você quer saborear cada fase, mesmo que seja desafiadora; é uma dualidade que nos acompanha. Queremos que nossos filhos cresçam e se tornem independentes, mas, ao mesmo tempo, queremos cuidar deles para sempre, como se ainda fossem pequenos e precisassem sempre da nossa ajuda. Acho que eu diria a ela para não se precipitar na vida e encarar as decisões com delicadeza, alcançando as coisas respeitando cada etapa. A vida é cheia de sabedoria para nos ensinar, mas precisamos estar atentos às sutilezas, às coisas simples, pequenas... é aí que estão as grandes lições. Acho que eu refletiria sobre algo assim, sobre o tempo, sua natureza fugaz e a paciência.
3. Se um dia você precisasse salvar sua filha de um grande sofrimento, levando-a para longe... O que você diria a ela naquele dia?
RESPOSTA: Eu diria a ela que a vida nem sempre é como gostaríamos que fosse, e que às vezes enfrentamos coisas cujo motivo não conseguimos entender, mas tudo acontece por um propósito maior e podemos aprender com tudo isso. Eu diria a ela para manter a calma, porque a mãe dela está sempre lá para ela, sempre que ela precisar, e que juntas as coisas podem ser mais fáceis. Eu até fiquei com os olhos marejados.
4. Imagine que daqui a 3.000 anos, você e sua filha serão adultas vivendo na eternidade (independentemente de suas crenças sobre o que isso possa implicar). Ela não é mais sua garotinha; ela se tornou uma mulher, tão madura quanto você. Que conversa interessante vocês teriam durante o café da manhã antes de um passeio pelas margens de galáxias distantes?
RESPOSTA: Acho que refletiríamos sobre o quanto crescemos, se alcançamos nossos objetivos, se estamos em paz e temos a consciência tranquila de termos sido bons conosco mesmos, com nossos entes queridos e com o ambiente ao nosso redor. Acredito que daríamos as mãos, trocaríamos olhares e tentaríamos nos entender como duas almas que caminharam juntas por muito tempo, mas agora finalmente podem descansar juntas.



















